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Gabinete de Imprensa - DORAL

Saudação aos trabalhadores em luta no Algarve

7 Agosto Cesp face

A Direcção da Organização Regional do Algarve do PCP saúda todos os trabalhadores que hoje estiveram em luta, muitos em greve e com presença na manifestação que ocorreu em Faro.

O Dia de Luta Regional, marcado pela União dos Sindicatos do Algarve, no mês de Agosto, em plena época alta do Verão algarvio, teve esse mesmo propósito: ser uma acção para denunciar e reivindicar melhores condições de trabalho e de vida para todos os que, nesta altura do ano, asseguram o funcionamento da economia e da região.

Ficou bem patente, na manifestação e nas intervenções finais da iniciativa, que os trabalhadores rejeitam que esta época de grande actividade económica seja cada vez mais sinónimo de aumento da exploração e de injustiças. A muita riqueza criada não está a ser justamente repartida por quem a produz, sendo que é de todo necessário e possível essa justiça social.

As receitas apresentadas pelo sector do turismo atingem recordes consecutivos todos os anos, enquanto os seus trabalhadores continuam a auferir salários dos mais baixos da nossa economia, para além de todas as questões da desregulação de horários, elevados ritmos e carga de trabalho, precariedade e instabilidade laboral, que se agudizam ainda mais no Verão.

O custo de vida tem aumentado brutalmente, e os salários e pensões não acompanham essa elevação de preços de bens e serviços essenciais. Em contraste, foi apresentado que há quem esteja a ganhar milhões e milhões de lucros nesta fase difícil para quem trabalha ou trabalhou – os grupos económicos. A injustiça reside aqui, na acumulação pelos grandes grupos económicos que dominam a nossa economia, deixando os trabalhadores sem condições de fazer face aos problemas do dia a dia. Exemplo dado foram os lucros da banca e das petrolíferas, à custa das taxas bancárias e do preço dos combustíveis.

Ficaram evidentes as dificuldades por que passam os algarvios: a habitação é das mais caras do país; os serviços públicos são dos mais afectados pelo ataque de sucessivas políticas de desmantelamento do SNS e da escola pública; a rede de transportes não dá a resposta necessária; falta investimento público; o modelo económico é exclusivo para o turismo, sem diversificação. Tudo isto é fruto de políticas erradas desenvolvidas ao longo de décadas e agravadas agora por este governo PSD/CDS, com o apoio total do CH e da IL, contando também com o PS em muitas matérias.

A DORAL do PCP saúda todos os que fizeram das ruas de Faro o palco das suas exigências e reivindicações. Do sector da hotelaria, do comércio e serviços, das autarquias locais, da administração pública, da saúde, do ensino, de empresas conserveiras, dos serviços postais, e muitos outros, a que se juntaram a juventude trabalhadora, reformados e também juventude estudantil, foram muitos os que participaram nesta acção de luta, vindos de todos os cantos do Algarve.

No seguimento da derrota do Pacote Laboral, ataque do governo e do patronato que os trabalhadores organizados em torno da sua central sindical – CGTP-IN – conseguiram alcançar, a confiança e motivação para a luta crescem e vão-se traduzir no aumento da sua intensidade.

Faro, 7 de Agosto de 2026
O Gabinete de Imprensa da DORAL do PCP

 

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Gabinete de Imprensa - DORAL

Início da circulação de comboios eléctricos na Linha do Algarve há muito reivindicada não anula exigências de reforço do investimento

IMG 2026 PCP

A Direcção da Organização Regional do Algarve do PCP (DORAL) bateu-se durante décadas pela electrificação da linha do Algarve. O início da circulação de comboios eléctricos nesta linha, embora com muitos anos de atraso, é um dado positivo, que no entanto, não anula o muito que falta de planeamento e investimento, para garantir um serviço ferroviário que sirva inteiramente as populações e a região.

A electrificação total da Linha do Algarve arrastou-se por mais de 20 anos, registando ao longo deste período atrasos significativos, sendo que neste momento ainda estão a decorrer trabalhos, o que não impede a circulação de composições com tração eléctrica, acabando assim com os comboios a diesel.

Electrificada a linha e com o “novo” (neste caso reconvertido) material circulante, é necessário realizar um sério trabalho de requalificação das estações e apeadeiros, quer no que respeita ao edificado, quer no que respeita aos sistemas de informação, aos serviços que prestam e às ligações rodoviárias que garantem.

Mas não basta electrificar a Linha e dotar esta de material circulante para o seu funcionamento. Os trabalhadores são parte essencial para o seu regular funcionamento, e também aqui é necessário dotar o serviço ferroviário regional do número adequado de trabalhadores, quer seja nas estações e apeadeiros, quer seja nas oficinas de manutenção, assim como nos restantes serviços existentes e que são indispensáveis para o seu funcionamento.

Os novos horários programados, carecem também de verificação, tendo presente as necessidades das populações e a mobilidade inter-regional, pois apesar de circularem mais comboios a resposta está longe de ser a necessária. Sinalize-se como exemplo, o período do meio da manhã - onde acaba o serviço regional em várias estações com a introdução do Inter-Regional, que para ser mais rápido deixa de fora 13 localidades das 30 paragens da Linha do Algarve, ou o período noturno - em que não são criadas mais ligações para além dos horários existentes. Sem melhoria significativa, pois só se alteram horários, ficaram as ligações a Lisboa, com os serviços Alfa Pendular e Intercidades, a continuarem a sair apenas de Faro.

Para a DORAL, apesar desta nova realidade, importa ter presente o muito que ainda falta para solidificar no Algarve para uma resposta ferroviária de qualidade. Há todo um investimento que é urgente planear, calendarizar, garantir fundos e sobretudo concretizar. Independentemente dos avanços observados não podemos deixar de continuar a sinalizar a falta da reactivação da concordância de Tunes; o alargamento das ligações IC e AP a Vila Real de Santo António e a Lagos; a ligação ao Aeroporto e à Universidade do Algarve (a proposta de ligação em rodovia não é solução); a reactivação do serviço regional em São Marcos da Serra; o estudo e planeamento da ligação de alta velocidade a Espanha.

Num momento em que o Governo PSD/CDS tem como intenção privatizar as linhas ferroviárias sub-urbanos de Lisboa e do Porto, a DORAL do PCP chama a atenção para os perigos que envolvem essa opção para regiões como a do Algarve, tal como se opõe à tentativa de transferência de competências nesta área para as autarquias ou para as Comunidades Intermunicipais. Para o PCP, o desenvolvimento da ferrovia, enquanto opção estratégica para o País, reclama uma CP una e coesa, ao serviço das populações e do País, e não a sua segmentação e privatização.

 

Faro, 21 de Julho de 2026
O Gabinete de Imprensa da Direcção da Organização Regional do Algarve
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